18
set

Babá, para que te quero!

baba mary poppins

Quando eu era pequena, minha mãe, querendo que os filhos tivessem mais contato com a língua materna, “importava” babás da França para cuidar de nós. Todo ano, uma babá nova era selecionada para passar um ano conosco, e no fim do ano ela voltava pra casa. Era ótimo para elas, jovens em busca de uma experiência de vida fora do país, e era ótimo pra nós que tínhamos contato com diversas babás francesas. Ou pelo menos, tenho certeza que foi assim que minha mãe pensou e agiu, buscando sempre o melhor para a educação dos filhos.

A verdade é que pais preocupados estão sempre em busca do melhor para os filhos, e quando o assunto é babá, temos muito a refletir sobre as dinâmicas e implicações que a sua presença traz na vida dos nossos filhos e da nossa família – ainda mais porque na nossa cultura, convenhamos, é uma profissão bem comum!

Acredito que toda família procura a babá ideal, mas para cada caso, isso significa coisas diferentes. Algumas buscam babás discretas, outras, babás que se afirmam e se impõem, outras ainda até buscam na babá alguém para coordenar a casa ou para ajudar a combater as inseguranças que a maternidade traz. O fato é que a babá sempre acaba ocupando um lugar de mais ou menos importância na família, cheio de definições e requisitos a serem preenchidos. Afinal, trata-se de alguém que passará a maior parte do tempo com seus filhos!

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Mas acredito que é muito importante buscar entender qual é o lugar que pedimos para esta babá ocupar, pois só assim será possível estabelecer uma relação de confiança que poderá ser transmitida para os pequenos de forma que eles também possam se sentir amparados e seguros.

Uma babá não deve apenas cumprir os requisitos de “atender às necessidades” das crianças, dar comida, trocar fralda e dar banho. É uma relação que precisa ter afeto. A babá precisa sim amar os nossos filhos, é o que irá permitir que eles se sintam bem cuidados, respeitados e felizes. Infelizmente isso acaba muitas vezes se traduzindo em ciúmes, culpa e competição. O que devemos sempre lembrar é que nenhuma relação de amor entre babá e criança substitui a relação entre pais e filhos, e apenas quando pudermos ter clareza disso poderemos “limpar” a relação que temos com as babás, de forma a estabelecer os limites e valores que queremos dentro da nossa casa.

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Por outro lado, ser babá também não é moleza. Como administrar e separar o pessoal do profissional quando se está praticamente vivendo a própria vida em outro lar, se vinculando com todos da casa e presenciando condições financeiras tão diferentes da sua? Como lidar com esses fatores, quando se está deixando sua própria família para passar o tempo com outra?

Na minha experiência de trabalho, tive a oportunidade de me relacionar com muitos tipos de babás, e percebi que estes fatores emocionais (além, é claro, das diferentes personalidades e histórias pessoais de cada uma) podem ter diversas implicações na sua atuação profissional.

Tinha aquelas babás “nem aí”, mais interessadas pelas fofocas com outras babás ou  pela tela do celular do que pela criança. Tinha outras super interessadas, mas sem muita noção do que fazer com a criança. Tinha as que reclamavam sobre a falta de consideração que a família tinha pela sua própria vida, que não tinham tirado folga há mais de um mês. Tinha aquelas que faziam nossa base tremer pela falta de afeto e carinho com as crianças. E é claro, tinha aquelas que se dedicavam inteiramente, ao ponto de se sentirem no direito de protestar sobre a forma como a mãe da criança queria educar os filhos, e que achavam que elas os “estragavam” nos dias em que ela estava de folga.

De qualquer forma, sempre enxerguei a possibilidade de dialogar com elas, e em alguns casos, isso foi muito produtivo. Muitas vezes a babá nem sabe a importância que ela tem na vida da família e principalmente da criança.
Através das brincadeiras com as crianças, da conversa e da riqueza que a arte e a criatividade trazem na expressão pessoal de cada um, algumas babás descobriram novas formas de se relacionar com os pequenos e de entender como separar sua vida pessoal da sua vida profissional.

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Alguns casos em particular foram muito gratificantes, no sentido de perceber aquela babá desabrochando e descobrindo novas possibilidades de atuação, de desejos e caminhos para sua carreira. Algumas levaram para casa a noção de relação e construção de jogos e de experiências com as crianças, a percepção das brincadeiras e do desenvolvimento do bebê, a importância de deixá-lo no chão, de escutá-lo e conversar com ele, entre outras coisas. Acredito que isso proporcionou algumas mudanças na relação da babá com a criança, e que pode ter tido algum impacto sobre a família como um todo.

Não queremos babás robôs que agem sob comando e controle remoto, mas também percebemos como é difícil lidar com todos os afetos e fantasmas que a presença de uma babá traz para a família.

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Devemos pensar diversas vezes em como nossa forma de lidar com as babás irá afetar a vida dos nossos filhos, e pensar pelo menos duas vezes antes de trocar de babá como trocamos de celular ou de carro. Sei que para mim por exemplo, foi muito difícil romper aquele vínculo a cada ano, e que apesar da riqueza que essas múltiplas relações me trouxeram, também foi difícil administrar a separação constante de pessoas importantes para mim.

Não é nossa intenção julgar ou apontar dedos, apenas iniciar uma reflexão que visa a felicidade e a paz da família. Buscamos trazer essa reflexão para que cada um encontre um equilíbrio adequado em sua rotina, que permita que a culpa e o ciúmes fiquem em segundo plano em relação à felicidade da família, e que permita que as babás desenvolvam um olhar mais apurado para o brincar e para a sua relação com as crianças.

Com carinho,

marganne

 

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Uma pessoa comentou em “Babá, para que te quero!

  1. Juliana Nunes Gouveia

    Realmente, é muito difícil… Já estou indo para a sexta babá em 8 meses …mas no meu caso pq eu tive 2 babás 24h revezando por sies meses . E agora estou partindo para o terceiro esquema de horários e rendição… Espero que este dê certo até minha bebê completar 1 ano…

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