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Amamentação – Sutilezas da Relação Mãe-Filho

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Você sabia que estamos em pleno Mês da Amamentação?

O chamado Agosto Dourado é um movimento mundial para exaltar os benefícios imunológicos, psicológicos e sócio-culturais do aleitamento materno.
Para celebrar a data, trouxemos palavras da nossa querida Martha Fernandes Goldberg, enfermeira obstétrica e consultora em aleitamento materno,para discutirmos mais sobre este assunto tão inundado de dúvidas, polêmicas e inseguranças. Escolhemos, então, trechos do seu texto “Amamentação – Sutilezas da Relação Mãe-Filho” presente no livro “Papinha Sem Medo” de Juliana Avella. 

Boa leitura!

 

“A maior parte dos escritos relacionados à amamentação trata do incentivo ao ato de amamentar os bebês e da necessidade de se fazer isso, tendo em vista a grande importância imunológica da amamentação para a saúde infantil. Outros falam em um ato de amor, em um momento mágico e especial na relação materno-filial.

Se observar uma mãe amamentar o filho, poderemos ver dois seres que se nutrem e se completam.De um lado, o bebê, frágil, delicado, que depende da capacidade materna de amamentá-lo. Do outro, a mãe, com seus desejos e expectativas ao gerar um filho, mas também com medos, incertezas e o temor de errar.

  `Ter um filho é uma realidade para a qual não há como se preparar inteiramente. As primeiras semanas de vida do bebê parecem muitas vezes um redemoinho caótico de experiências e sensações novas (…) É preciso aprender tanto! Como alimentar o bebê, como vesti-lo e cuidar da pele dele, as coisas de que ele gosta ou não. Cuidar de um recém-nascido requer uma combinação de aconchego, atenção e receptividade” (FENWICK,E. Guia Prático mamãe e bebê – da gravidez aos 3 anos. São Paulo: Editora Abril, 1991, p.76)

Embora conheçamos algumas regras, há muito a ser aprendido.

As meninas de nosso tempo não veem e não observam o ato de amamentação, nem convivem diretamente com ele. Para se ter uma ideia, basta verificar a quantidade de artigos, vídeos e comentários postados de modo incessante na internet, os quais visam dar informação, orientação e apoio relacionados à amamentação.  (…)

      `(…) O bebê deve ser amamentado numa posição que seja confortável para ele e para a mãe, que não interfira em sua capacidade de abocanhar tecido mamário, e retirar o leite efetivamente e de deglutir e respirar livremente. A mãe deve estar relaxada, e segurar o bebÊ completamente voltado para si.` ( GIUGLIANI,E. Amamentação: como e por que promover. Jornal de Pediatria, Sociedade Brasileira de Pediatria, vol.70, 1994, p. 1943)

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(…) Aqui tentamos buscar algum referencial, pois, como as mães, os bebês são diferentes entre si e são novos seres humanos, que já nascem trazendo particularidades. Uns choram muito, solicitam muito e parecem querer mamar o tempo todo. (…) Outros são mais tranquilos, sossegados, até dormem mais do que mamam e precisam ser estimulados a mamar com frequência, tendo em vista seu desenvolvimento e ganho de peso.

     ‘Spitz (1958) comenta que, nos EUA, da Primeira Guerra até 1935 predominava o behaviorismo e, na educação das crianças, isto se refletia na prática de horários fixos com quantidades preestabelecidas (tanto na alimentação natural quanto na artificial) como o objetivo de não “estragar” a criança; com isso, deixava-se de considerar as necessidades e o ritmo próprio de cada bebê; além disso, aconselhava-se as mães à não “mimar” a criança, deixando-a no berço quase o tempo todo. A partir de 1935 até mais ou menos 1950 observou-se o movimento contrário: a atmosfera de maior permissividade refletiu-se na adoção de horários livres e quantidade que o bebê desejasse, ficando a cargo dele o estabelecimento espontâneo de um ritmo que poderia ser bastante variável. A tendência contemporânea situa-se a meio caminho entre aqueles dois polos: reconhece a necessidade de dar ao bebê um arcabouço de organização, porém suficientemente flexível para ajustar-se às suas flutuações. E, sobretudo com o maior conhecimento do funcionamento da mente infantil, reconheceu-se que, nas primeiras semanas, o bebê sente que seu desconforto durará para sempre, já que ainda não percebe que a mãe e o mundo existem fora dele e são capazes de atender às suas necessidades; ao deixar o bebê chorar por muito tempo ou esperar demais pelo alívio de suas necessidades desesperadoras e urgentes, confirmamos a sensação de um mundo hostil e inseguro, com o qual não se pode contar em seu desamparo e isto aumenta o desespero do bebê.’ ( MALDONADO, M. Psicologia da Gravidez – Parto e puerério. Petropólis: Vozes, 1985, p.83)

Conhecer um pouco do processo de amamentação, saber que existem vários tipos de mamilo e de mama e quais cuidados tomar para preparar a pele dos mamilos são fatores que fazem a diferença logo no começo do aleitamento. Os mamilos devem ser expostos ao sol diariamente no intuito de fortalecer a pele. (…)

Do nascimento até o terceiro dia de vida, o bebê mama o colostro, um líquido muito proteico, cheio de anticorpo e em pequena quantidade se comparado ao leite que ainda vai chegar. Mamar o colostro é de grande importância para a saúde do bebê, e a quantidade ainda pequena em relação ao leite é do tamanho da fome do bebê. Assim manda a natureza.  Quando a fome aperta, chega o leite em profusão e abundância. A chegada do leite, chamada de apojadura, a qual ocorre em torno do terceiro ou quarto dia pós-parto, caracteriza-se  em geral por uma produção de leite abundante, maior do que a necessidade do bebê. É um momento importante de cuidado e atenção com as mamas. (…) Aos poucos, com o passar dos dias, a quantidade de leite produzida vai se adequando à necessidade do bebê, e as mamas vão ficando mais leves e confortáveis.”

 

Martha Fernandes Goldberg, enfermeira obstétrica e consultora em aleitamento.

 

Bibliografia: 

(AVELLA, Juliana. Papinha sem Medo. São Paulo: Antroposófica, 2015)

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